10 anos sem David Bowie

Era manhã do dia 10 de janeiro de 2016 quando me deparei com a notícia da partida de David Bowie, um dos maiores artistas que já habitaram entre nós e um dos pilares da minha formação, não só musical, mas artística.

Não lembro como fiquei sabendo; se ainda vivíamos livres de smartphones, tentei e não consegui recordar (devo ter jogado para o recalque, como diria Freud). O que me lembro é que, assim que recebi a notícia, corri para a lan house mais próxima (já estávamos no fim dessa era) e acessei sites de música em busca de mais informações sobre o ocorrido. Foi um momento de profundo impacto emocional, difícil de digerir.

O primeiro vestígio que me vem à memória envolvendo Bowie foi uma reportagem da revista Playboy (explicando que foi um recorte que encontrei nas coisas de um tio — aí é com ele). A reportagem se chamava Ídolos do Rock, e Bowie aparecia ali em diferentes fases: Ziggy Stardust, Let’s Dance e outras imagens icônicas. O texto destacava a importância e a contribuição do Camaleão para o rock e trazia, ao final, sua discografia completa. Mesmo com toda aquela informação de base, ainda não havia como ouvi-lo facilmente — estávamos no fim dos anos 1990, e a internet começava a se popularizar no Brasil.

Um adendo importante: o que eu sabia de Bowie até então era que a música da banda gaúcha Nenhum de Nós, “Astronauta de Mármore”, era uma versão de “Starman”. Só anos depois consegui ouvir a canção.

Mais adiante — avançando no tempo — assisti no YouTube ao vídeo da lendária apresentação da “Starman” no Top of the Pops. Ali fui completamente arrebatado. Eu não sabia exatamente do que se tratava: se era um homem, uma mulher, um alienígena. Aquela indefinição me deixou intrigado.

Algum tempo depois, fiz o download em MP3 de The Rise and Fall of Ziggy Stardust and the Spiders from Mars e, mais uma vez, fui tomado. A história de um alienígena que tenta salvar a Terra por meio do rock e acaba se autodestruindo pelo mesmo motivo foi impactante a ponto de o disco se tornar um dos álbuns prediletos da minha vida. Vieram depois as coletâneas, os registros ao vivo e a confirmação: entre tantos cantores tecnicamente superiores, foi a voz de Bowie que me marcou e se tornou referência — uma escolha puramente afetiva, não técnica.

Passados dez anos desde sua partida — e ouvindo sua obra de forma contínua — posso dizer que sua figura segue mais presente do que nunca. Seja no cinema, em séries (como em Stranger Things), na moda ou na cultura em geral.

Besteira — Bowie não morreu. Ele permanece influente, atravessando gerações.

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